02 setembro 2008

Vinícius Barbizani faz cobertura do evento da Fapcom

O evento foi divulgado aqui e tratou de Comunicação e Mobilidade. Infelizmente, por dar aula e ter doutorado à noite, não pude estar. Porém, o Vinícius gentilmente produziu uma cobertura do evento, que aproveito para reproduzir aqui, para quem, como eu, não teve a chance de participar.

"O terceiro simpósio de Comunicação da FAPCOM, com o tema voltado para Comunicação e Mobilidade aconteceu na semana passada em São Paulo e reuniu autoridades cientificas e mercadológicas sobre o assunto.

O evento sempre é um marco para quem gosta de Comunicação e Tecnologia, ano passado, por exemplo, a presença marcante foi de Pierre Lévy. Esse ano o convidado especial, foi Federico Casalegno, um dos diretores do MIT nos EUA.

O primeiro dia de palestras foi marcado pelo Prof. Massimo Di Felice da USP, que falou sobre a Comunicação e o Habitat. Ele citou como as grandes construções antigas e até as atuais são edificadas pensando em facilitar a comunicação. Falou também da forma em que habitamos espaços conectados. – Estamos em casa ou na rua, mas sempre prontos a atender um chamado de qualquer lugar do mundo, seja por celular, email, ou Twitter. A internet na verdade é a grande responsável por mudanças na forma em que habitamos e na forma que nos sentimos parte de ambientes.

Ainda na primeira noite, Derrick de Kerckhove falando da imobilidade na era do Tag, explorou as idéias de Teoria da Conectividade e da Teoria da Coletividade. Interessante pensar em como nós comunicadores do mundo digital, estamos conectados ao mundo e precisamos pensar com ética e responsabilidade cada interação que fazemos. Lembrando sempre que no mundo digital as pessoas influenciam o meio, mas os grupos sempre transformam o ambiente.

Na terça-feira subiram ao palco para dividir conhecimentos com a platéia o Prof. Robson Lisboa do Instituto Nokia e Pedro Prata do Instituto Oi Futuro. O Prof. Robson explanou a questão do e-learning e como os meio móveis podem ser fontes não só de entretenimento, mas também de aprendizado. Segundo ele, precisamos aprender e ensinar através do mobile, já que é possível fazê-lo de qualquer lugar do mundo e tratar a informação gerando conhecimento está a cargo dos comunicadores na internet.

Se considerarmos os celulares como exemplos de mobile, somos 130 milhões de assinantes de serviços de telefonia. No país temos segundo o Ministério da Educação e Cultura, cerca de 10% da população analfabeta. O resultado desses números é que vários brasileiros aprendem a dar significado às palavras a partir do celular.

Interação, colaboração, conteúdos personalizados, móbile, o ciberespaço, e diversos outros conceitos colocados pelo Prof. Robson, fazem parte da interpretação que nós comunicadores devemos fazer do universo em que as pessoas se comunicam e interagem constantemente, seja pelo celular, pelo email ou webcam.

Na terceira noite Marcelo Godoy trouxe suas experiências do Mobilefest e dividiu com universitários e profissionais da área de comunicação. A pergunta chave foi: como usar as tecnologias móveis de uma maneira mais cidadã, democrática e consciente?

Marcelo citou exemplos de redes colaborativas através do celular, como: um grupo de mães que se reuniram na Califórnia para trocar fotos, vídeos e outras informações de criminosos e vândalos no bairro onde elas vivem; a polícia de Manchester que através de um celular pode receber fotos, informações e denúncias sobre crimes; o canal motoboy, etc.

Na mesma noite Rejane Cantoni explorou algumas de suas pesquisas e experimentos explanando os Ambientes Inteligentes e as diferentes formas de nós nos relacionarmos com a máquina. Todas as palestras, debates e conversas acabaram convergindo ao que o convidado de honra do evento explorou.

Federico Casalegno do Instituto de tecnologia de Massachucets é diretor do laboratório de Design e do laboratório de Experiência móvel. O cientista e pesquisador apresentou logo no inicio de sua fala alguns “resignificados” para preparar o público, dizendo que Mobilidade é transporte de informação e conectividade é alcançada através de tecnologias que redefinem as experiências dos usuários.

Federico mostrou três projetos que o MIT esta trabalhando e podem ser vistos no site do Instituto. O ponto principal dos três vídeos que mostrou ao público foi a preocupação em que sua equipe está em como os aparelhos móveis podem trazer às pessoas a interatividade, o conforto, a experiência rápida e fácil da internet para vida real?

Em conversa com Federico percebe-se que as realidades brasileiras e americanas são diferentes quando se fala em web 2.0. Por aqui as pessoas estão aprendendo a lidar com as interações, com perfis em redes sociais, as empresas estão começando a dar credibilidade para as mídias sociais, os consumidores estão mais ativos e produzindo novos conteúdos, mas ainda estamos muito atrás da França, como ele mostrou em um dos vídeos, e dos EUA, onde a sociedade já possui uma cibercultura mais forte e disseminada.

A reflexão do evento parece ter sido a de: como nós Comunicadores podemos acompanhar o desenvolvimento de uma cultura web e usar as interações entre as pessoas, para trazer mais cidadania para a sociedade virtual e física, aprimorando assim a vida dentro e fora da internet?"

2 comentários:

UpaLupa disse...

Estive do ladinho do Vinícius no segundo dia do evento e pude presenciar a maravilha que é a troca de idéias sobre um assunto tão mágico e agregador. Parabéns ao meu amigo pela cobertura tão bem exposta e aos organizadores do evento que fizeram valer a pena sair de casa no frio...rs

Carol Terra disse...

Oi, Lígia, realmente, o evento deve ter sido muito bacana! Fiquei contente com o texto do Vinícius. Obrigada por comentar aqui. abraços, Carol Terra